terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mórbido dos mórbidos

Observo atentamente aquela caveira
Está assentada perto da taça de vinho
Nesta sala com uma atmosfera negra
Uma vela acesa para acalmar os espíritos.

O Anjo Caído sorri complacente
Senhor dono dos prazeres carnais
Sou apenas um mísero ser vivente
Deliciando-me com inúmeros bacanais.

Leio atentamente um volume de Baudelaire
Minha amada morreu do coração depois d'uma orgia
A poesia mostra-se maravilhosa como uma peça de balé
É uma inspiração perfeita para praticar-se necrofilia.

Uma visita ao cemitério para encontrar a paz
Caminho cabisbaixo entre os túmulos
Deito sobre um e meu espírito jaz
Na silenciosa calma d'um defunto.

Devoro os despojos de minha dama
Somos agora uma só carne, um só ser
Esse meu apetite por carne humana
Faz qualquer mortal de nojo padecer.

Saboreio deliciosamente o seu doce sangue
Numa taça de ouro com o símbolo do mal
Caro leitor, por favor não estranhe
Sou apenas movido por um desejo carnal.

Fumo o ópio inebriagante e fico sonolento
Leio Noites na Taverna para acompanhar
 Álvares que tinha um enorme talento
Para embriagado poder-se apreciar.

Olho ainda alterado para a lua
A alma dos poetas mórbidos
Minh'alma fica leve e nua
Acaba-se o sentimento sórdido.

Conjuro Lúcifer na magia Goécia
Este vem com seus cavaleiros negros
Seria melhor ter orado para Dionísio da Grécia,
Porém eu só queria provar que sou um bom feiticeiro.

A magia não dá certo por pouco
Lúcifer zanga-se ferozmente comigo
Dia após dia acabo ficando louco
Padecendo na miséria sem nenhum abrigo.

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