sexta-feira, 29 de abril de 2016

Da treva à luz

Lá no fundo de minha mente
Do mais íntimo do meu ser
Um estado de meditação vigente
Dizeres longínquos: " tu vais vencer!"

O que aflorava em minh'alma
Era um estado de lamentação
Um grito desesperado da cova rasa
Uma pontada no peito da depressão.

Fantasmas invólucros n'um prisma
Sussurros demoníacos e carentes
Gargalhadas d'um louco suicida
Satã exibindo seu enorne tridente.

Na calada da noite caminho entre espinhos
Com os pés ensanguentados tento alcançar a rosa
Deus que enviastes teu único filho
Lavastes-me dos meus pecados de outrora.

O ópio inebriante levou-me à miséria
A droga dos derrotados fumou-me a excência
Levou-me ao estado da mais alta treva
Da orgia carnavalesca ao um estado de clemência.

Fatigado de cair e levantar incalsavelmente
Sufocar-me com excrementos n'um ritual escatófilo
Reverenciar um belo momento dormente
Descer à sepultura do mais insano necrófilo.

Depois de passear pelo inferno pessoal
Colherei as flores desta bela primavera
O último fôlego d'um coração mortal
Gozando de amor à estrada tão bela!

Nenhum comentário:

Postar um comentário