sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Última noite de amor

         Ele estava sozinho em um quarto escuro, iluminado apenas por uma pequena vela branca. Estava bebendo vinho em copos feitos de crânio humano.
        A decoração do quarto não poderia ser diferente. Havia morcegos empalhados no teto, um pentagrama envolto num círculo no centro e algumas flores e crucifixos roubados de algum cemitério, entretanto a coisa mais chamativa do quarto, era um caixão com o corpo de sua amada já em decomposição.
      Este a amava demais para deixá-la; sua pele pálida, seu corpo enrijecido e sua carne já começando a ser devorada por vermes, só aumentava o seu amor por ela. Este começou à beijá-la lentamente, em um amor eterno e real. Acariciou seus seios enrijecidos e em seguida, lambeu sua vagina já apodrecida. Deitou-se sobre ela , passou lubrificante nos genitais da bela donzela e à penetrou.
     O homem fez amor com sua amante, de uma forma que nunca havia feito em sua vida. O êxtase da situação, levou-o ao orgasmo do júbilo da morte! Pegou um copo de vinho com veneno, e deitou-se com a moça, pronunciando suas últimas palavras:
      ___ Cá estou eu, pobre mancebo que perdeu sua amada de forma trágica e repentina. Não pude enterrá-la, pois era bela demais para isto. Daqui à pouco estarei contigo, querida Dulcinéia, para juntos entrarmos na eternidade do amor puro e perfeito! Entrego a minha vida à ti, para juntos nos deliciarmos no pós-morte.
      Este bebeu o cálice de vinho envenenado  e abraçou sua amada num gesto de ternura e carinho. Queria passar os poucos minutos restantes ao seu lado. Fechou os olhos e deslumbrou um pequeno momento de paz e harmonia. Imaginou-se com Dulcinéia em uma terra pura, próxima à uma cachoeira exuberante, onde os pássaros cantavam harmoniosamente uma sinfonia dedicada a eles, do topo de suas árvores. Eles faziam piquenique no bosque e estavam sorrindo um para o outro.
      O efeito do veneno começara a fazer efeito. O suicida foi tomado por um estranho e intenso mal-estar, porém lembrou-se do paraíso que imaginara anteriormente, deu um grande sorriso, enquanto debruçava-se sobre sua amada. 

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