sábado, 5 de setembro de 2015
O último fôlego
Vivendo só numa mutidão de seres
Sem um lugar para chamar de lar.
Foi-se o tempo d'um coração festeiro,
Que com a dozela angelical estavas sempre à bailar.
Só em seus braços sentia um alívio divino
Sua graça e seu olhar deixavam-me em transe!
Sentia-me como se eu fosse apenas um menino,
Ao beijar seus lábios com gosto de champanhe.
Agora o que resta é um tuberculoso esperando a morte;
Buscando inspiração na lua, e relembrando os dias belos.
Vós chorando no meu leito de morte, no desespero e na desordem,
Fazes meu coração sofrer com esse horrível flagélo.
Nunca esquecerei de ti, dama da noite!
Desculpe-me por não poder fazê-la feliz...
O que restou-me foi apenas um açoite,
De ver minha amada cabisbaixa, sem sorrir.
Se fosse nos tempos de outrora,
Viveriamos nosso romance por anos!
Minha querida, preciso ir embora,
Pois o anjo da morte já está me esperando.
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